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HISTÓRIA > CENTRO DE FORTALEZA (Fonte: Centro de Fortaleza, entre Afetos e Sentidos de Fátima Bertini)

As mudanças no Centro - o idoso entre afetos e sentidos

Fortaleza,
eu vim de ti, pertenço a ti.
Mas, tu és de quem?
Os muros do teu Forte parecem com quem?
Tantos tempos que vivestes, não é, Fortaleza? E tantos já pareceram contigo!
Ou tantos já quiseram que tu parecesses com alguém ...
Mas, onde estarás tu mesma em teus tempos, Fortaleza?
Onde estarão as pedras, as formas?
Não as vejo, não as vejo.
Quem usurpou os teus muros?
Quem substituiu tuas fachadas?
Quem te aprisionou nos andares de granito?
Fortaleza, não fiques triste!
Eu es tou aqui.
Ainda pareço contigo.
Ainda existes em mim, Fortaleza!

Aspectos históricos e simbólicos do Centro

Em 1637, chegou uma expedição holandesa no Estado do Ceará Em 1649, uma nova expedição holandesa construiu, às margens do Rio Pajeú, o Forte Schoonenborch, rebatizado, após a expulsão holandesa, anos depois, pelo nome de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção".(5)

Segundo Girão (1997: 11), um aventureiro inglês, que esteve em Fortaleza entre 16 de dezembro de 1810 a 08 de Janeiro de 1811, anotou em seus registros pessoais algumas características desse tempo: "A vila de Fortaleza do Ceará é edificada sob terra arenosa, em formato quadrangular, com quatro ruas partindo da praça e mais outra, bem longa, do lado norte, desse quadro, correndo paralelamente, mas sem conexão".
Sendo assim, o Forte, no tempo de sua incursão, não era tão "forte" assim: "A fortaleza, de onde a vila recebe a denominação, fica sobre uma colina de areia, próxima às moradas e consiste num baluarte de areia ou terra, do lado do mar, e uma paliçada, enterrada no solo [ ... ]" (GlRÃO, 1997: 13). Talvez a força não estivesse nas pedras, mas na simbologia do Início. Algo que congregou os "fortezenses?" em tomo daquele monumento.

5 Adáptado do texto: O Ceará no Processo Civilizatório - de 02 de fevereiro de 1500 a 13 de abril de 1726 de Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Júnior, no site: \vww.ceara.com.br/fortaleza/historiadefortaleza.htm. Acesso em: 2 mar. 2006.

Em 1726, a aldeia, onde ficava o forte, foi elevado à condição de vila e, em 1823, ganhou o "status" de cidade pelo Imperador Dom Pedro I, chamada de Fortaleza de Nova Bragança e, posteriormente, Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção.

A capital foi crescendo de forma lenta: de 1810 - ano em que o inglês Henry Koster viajou para cá -, a 1895 teve uma extensão de somente 5km quadrados e 985 metros".

E Fortaleza seguiu seu caminho: das imediações do Forte, da praça principal, da rua direita ou da rua principal, dos edificios da administração civil e religiosa, das conversas, dos encontros, de novas pessoas que avistavam o forte e ficavam. Das residências que eram feitas ali perto para sentir essa sensação maternal da proteção daquela vila (GIRÃO, 1997).

Nesses 5km quadrados e 985 metros, Fortaleza foi "fazendo amizades", as relações sociais já se alargavam no começo de século e pontos de encontros culturais eram criados, como, por exemplo: "Praças que eram tomadas de arbustos e capins, foram belamente ajardinadas, como a do Ferreira (Jardim 7 de Setembro), do Marquês de Herval (hoje Praça José de Alencar)" (GIRÃO, 1997: 33). Espaços que se tornaram lugares. Espaços que se tornaram vividos na jovem cidade.

Uma cidade que foi descobrindo seus lugares perto daquele Forte.

Ali, bem próximo, a jovem urbe ao caminhar, em passeio, já chegava logo em um jardim que foi chamado de Passeio. De todos ... público: Passeio Público. Um lugar que não se impôs a si mesmo, dizendo: "eu sou um lugar para você, cidade", mas um lugar que todos concordaram, aos poucos, com seu conceito. Foi construído historicamente como um lugar de experiências sociais, de simbolismo, de encantos, de segredos, de risos, de existências, de intimidade.

E esse lugar da cidade, que chegou a ser o todo da própria cidade em brilho, em beleza e em graça, foi testemunhado por Graça Aranha quando aportou no Ceará em 1881:

À noite, no Passeio Público, nesse jardim crestado, que me recebeu pela manhã, a banda de música a tocar, as cearensizinhas, sem chapéus, risonhas, atiradas, tão diferentes da maraenhensezinhas sisudas e pretensiosas, desfilavam joviais para nós e tudo me parecia novo, estranho, encantador. Foi o primeiro contato com uma cidade diferente de minha velha terra. Que delícias e que perspectivas para o meu espírito curioso me abriu o mundo. (ARANHA apud GIRA0, 1997:48).

Na medida em que Fortaleza ia se desenvolvendo, os iugares do início continuaram a ser lugares de conteúdos autênticos da cidade. As ruas ?principais desses espaços assim corno sua história, tudo começou a pulsar a partir das mediações do Forte, da Santa Casa de Misericórdia, da antiga cadeia (hoje Encetur), do Passeio Público, da estação ferroviária, da Praça José de Alencar, do Paço Municipal, do riacho Pajeú, das ruas Senador Pompeu, Major Facundo e tantas outras a partir dali nascidas. Tudo começou a pulsar a partir do Centro da cidade.

O Centro de Fortaleza, pois, constitui esse berço inicial, do primeiro lugar agregador e aglutinador de vivências, do lugar dos primeiros encontros dos indivíduos com a cidade e, ainda, de um forte sentido simbólico para os fortalezenses.

Além disso, foi um lugar inicial de gerenciamento urbano, urna vez que constituiu, em seus tempos áureos, cenário de todas as decisões, públicas e privadas, indo dos poderes executivo, legislativo e judiciário (municipal e estadual).

A área central abrigava as sedes da Prefeitura, do Governo do Estado, da Câmara Municipal, da Assembléia Legislativa, dos Fóruns e da iniciativa empresarial, em torno do comércio e da prestação de serviços (cartórios, escolas, escritórios de advocacia, consultórios médicos, odontológicos e outros), além da habitação, que se caracterizava corno um privilégio, morar entre as pessoas mais ricas e poderosas.

O que aconteceu com Fortaleza faz parte de um contexto maior de constituição das próprias cidades em nosso país. Segundo Leite (1989: 11), ocorreu, historicamente, na configuração urbana do Brasil, a existência de aglomerações sociais em torno de espaço fisico definido, com vistas ao controle colonizador de Portugal. Em decorrência disso, foi-se formando o centro corno lugar de aglutinação administrativa, econômica e social.

Ao lado dessa constatação histórica, essa mesma autora afirma que a história desses lugares pode desencadear diversos significados e sentimentos nas pessoas:

O Centro de uma localidade desperta diversos sentimentos de uma sociedade em seus diferentes níveis sociais. Para alguns, não passa de um conjunto de construções antigas e decrépitas, de uma confusão permanente gerada pelo conflito pedestre/veículos; em outros casos, o sentimento é de nostalgia, de saudade de um passado "ideal". Note-se que esse sentimento ocorre até em quem não viveu a época, pois é conseqüente do forte caráter simbólico [ ... ] das edificações que resistiram ao tempo, provas vivas de um momento passado e o passado é presença forte, com diversos significados [ ... ] (LEITE, 1989: 13).

Nesse sentido, Halbwachs (1990) também analisa que mediante as transformações de uma cidade, existem resistências tanto individuais, quanto coletivas. Isso porque as referências espaciais que acompanhavam os ritmos de vida, uma vez mudadas - como a destruição de ruas, de residências, de muros - quebram com a continuidade de costumes e hábitos. No entanto, os grupos humanos que ali interagiam tentam uma continuidade de suas configurações anteriores, agora sob esse espaçomudado.

De acordo com esse pensamento, no caso de Fortaleza, o início de um processo de perda de hegemonia e expressividade do Centro, frente a outros espaços da cidade, pode estar vinculado a um gradual deslocamento da população ali residente, além da evasão de suas funções de administração e de lazer. No lugar de grupos sociais permanentes ou pouco rotativos, foi se dando espaço a grupos mais transitórios (como o comércio), no que diz respeito a essas funções citadas.

Isso fomenta uma situação de abandono e de pouca atenção à manutenção dos equipamentos urbanos do Centro, uma vez que eles não satisfazem mais aos habituais grupos de usuários que os utilizava, passando a serem redesenhados ou concebidos simbolicamente por outro contexto de relações sociais. .

Aliado a esse aprofundamento teórico sobre o centro da CIdade, a experiência pessoal com esse ambiente foi importante a partir de uma ação investigativa, realizada pela autora desse trabalho, vinculada a minha concepção histórica e social.

Ao moderar os passos no centro da cidade, em contrapartida aos passos rápidos dos consumidores e dos comerciantes, pude andar no mesmo ritmo que aqueles prédios e casas antigas. Essa experiência me deu a impressão de que o centro se dilui a cada momento em um rompimento covarde e estúpido, entre o passado e o presente.

Não existe, portanto, uma continuidade do tempo da vida desse centro, que já hospedou, desde o início da cidade, todos os visitantes de suas praças, dos seus hotéis, dos seus cafés, de suas barbearias, dos seus Boulevards, de seus abrigos, do seu teatro, de suas Igrejas.

Hoje, alguns desses prédios ou equipamentos urbanos estão lá, ainda que com uma configuração social totalmente diferente, mas conservando uma configuração simbólica e referencial do centro e da cidade, desvelando a própria história e presentificação de Fortaleza.

Presentificação, esta, que poderá passar a ser apenas uma temporalidade interina, se os fortalezenses não começarem a enxergar os novos tempos e as novas dinâmicas sociais com o olhar atento ao processo e não à ruptura Acreditando que o relógio da Praça - tão imponente - irá seguir um ritmo gradual e contínuo em cada novo tempo que surgir no Centro.

Estas são as percepções da pesquisadora a partir de suas experiências. O contato com a realidade do ambiente, da presente pesquisa, constitui de suma importância para aproximação com este objeto do conhecimento.

Percurso histórico das intervenções urbanas

De acordo com Silva (2001) e Silva (2005), o centro de Fortaleza teve um período áureo, iniciado na segunda metade do século xx. Por seu status e prestígio, sua dinâmica confundia-se com a da própria cidade. Esses dias de glória iniciaram o arrefecimento nos anos 60. Isso se deu, entre outros fatores, ao esvaziamento das funções institucionais e à presença também, em outros lugares na cidade, de atividades culturais.

Da mesma forma, outro fator bastante importante para a perda dessa hegemonia foi o pouco ajustamento sócio-espacial do centro diante da nova dinâmica urbana de Fortaleza. Na área central da cidade, inúmeras intervenções foram realizadas, mas segundo o mesmo autor "de forma solta e desconectada, não proporcionando uma renovação de vínculos identitários mantenedores do lugar" (SILVA, 2005:39).

Segundo Fernandes (2004), as primeiras intervenções urbanas que ocorreram em Fortaleza, confrontavam-se com os interesses da classe proprietária, que associavam a posse da propriedade privada ao poder econômico da família e da empresa Isso não permitiu a efetivação ampla desses planos de remodelação da forma como foram pensadas, embora algumas de suas orientações e perspectivas tivessem sido absorvidas ou adaptadas em outras propostas de intervenções.

De acordo com esse autor, a partir da década de trinta até hoje, houve seis planos de ordenamento fisico-territoriais para a cidade de Fortaleza: o "Plano de Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza" de Nestor de Figueiredo, em 1933, (arquivado); o "Plano Diretor para a Remodelação e Extensão da Cidade de Fortaleza", do Engenheiro e Urbanista José Otacílio Saboya Ribeiro, em 1947, não colocado em prática, devido à pressão de alguns proprietários; o "Plano Diretor da Cidade de Fortaleza", do urbanista Hélio Modesto, em 1963; o "Plano de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Fortaleza PLANTIRF", entre os anos de 1969 e 1971; o "Plano Diretor Físico", de 1975; e o "Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Fortaleza PDDU-FOR", em vigor desde 1996 e em processo de revisão atualmente (FERNANDES, 2004).


Esses projetos tiveram em vista também a reorganização das estruturas urbanas do centro da cidade, na tentativa de modernizá-lo, prepará-lo para as extensões sociais e econômicas que já se faziam surgir em Fortaleza.

Segundo Fernandes (2004:40), o autor do "Plano Diretor para a Remodelação e Extensão da cidade de Fortaleza", José Otacílio Saboya Ribeiro tinha a preocupação do espaço central da cidade tomar-se alvo de movimentos intensamente centrípetos, a ponto de ocorrer saturações de fluxos e conseqüências para essa área urbanizada.

Suas idéias antecipavam-se a esses problemas, como a proposta de alargamento das ruas para a desobstrução das vias. Esse plano de Saboya objetivava, ainda, o favorecimento de condições sanitárias e de higiene para o centro, que resultasse em sua continuidade como área de confluências da cidade. Além disso, Saboya também propunha criar no centro da cidade uma zona administrativa, comunicando, assim, à cidade elementos de referências desse viés.

As propostas desse projeto de José Otacílio Saboya Ribeiro, de acordo com o pensamento de Fernandes (2004), indicavam a necessidade de firmar no centro tanto a noção de lugar de coordenação de atividades urbanas quanto a condição simbólica que este espaço da cidade já carregava.

Apesar das possibilidades de intervenções desse tipo, o plano de remodelamento de Saboya Ribeiro foi impedido de ser realizado, visto à preponderância das decisões particulares dos proprietários de imóveis no centro que impediram o alargamento das ruas. O poder público não conseguiu, já nessa época, ter um pulso mais forte nas decisões da cidade, frente aos interesses comerciais de uma elite que ali se manifestava.

O "Plano Diretor da Cidade de Fortaleza", de Hélio Modesto, a partir de percepções semelhantes às de Saboya Ribeiro sobre os problemas do centro, propôs soluções semelhantes a este, segundo Fernandes (2004). O trabalho de Hélio Modesto tinha o agravante de, passados dezesseis anos do início do planejamento de Saboya até a recusa do mesmo (de 1947 a 1963), ter que lidar com um quadro piorado de segregação social na cidade.

Hélio Modesto tinha concretamente diante de si os mesmos problemas enfrentados por Saboya: especialização funcional em tomo do comércio varejista, o estrangulamento da malha viária em função da permanência dos traçados e a fuga de atividades que garantiam a presença heterogênea dos diversos estratos sociais (FERNANDES, 2004).

Diante de tais problemáticas ainda não resolvidas, Hélio Modesto propunha a valorização do espaço público e a implantação de edificios governamentais no centro, com vistas a despertar o interesse da iniciativa privada em estabelecer ali seus equipamentos culturais.

Este plano de remodelamento foi aprovado, contudo não totalmente efetuado. Nesse momento, o Brasil vivenciou o contexto político do golpe militar de 64 e a conseqüente perda de autonomia municipal. Ocorreu uma permanência da zona central, sem maiores intervenções ou investimentos.

Aconteceu nos anos subseqüentes, o que Saboya Ribeiro tentara remediar com suas propostas. Uma maior circulação de fluxos para o centro - trânsito motorizado, principalmente o coletivo - e fluxos humanos, já que o centro aglutinou (ainda hoje também) um espaço de inúmeros mecanismos de sobrevivência de trabalho, tanto informal, como formal.

Frente, mais uma vez, a um impedimento de uma intervenção mais contextualizada do centro, os interesses políticos, particulares e privados, preponderaram-se com mais veemência no espaço central da cidade. De acordo com esses interesses, a área central da cidade tomava múltiplas faces com uma função marcadamente mercadológica.

Chegados os anos setenta, o "Plano de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Fortaleza - PLANDIRF propõe a existência de um núcleo específico no centro - o "Core" - o qual objetivaria integrações das atividades "comerciais, culturais, recreativas e administrativas". Propõe ainda, segundo Fernandes (2004:60):

Incentivo à verticalização e retirada de equipamentos como Cemitério, Cadeia, Estação Ferroviária, Santa Casa e Mercado Central. Propunha, ainda, a remoção de depósitos abandonados, favelas e antigas instalações portuárias localizadas na área do Poço das Dragas.

Percebe-se que essas propostas atendiam à demanda de uma funcionalidade comercial do centro. A retirada de equipamentos urbanos pode traduzir a tendência de uma lógica tecnicista de remodelação urbana diante da exigência de soluções aos problemas apresentados pelos planejadores dessas intervenções.

Em contrapartida, diminui a importância da reflexão sobre como essas mudanças poderiam interferir na vida das pessoas. De que forma essa retirada de equipamentos desorganizaria o contexto das relações sociais que ali permaneceriam, ou desconstruiria o vínculo afetivo-simbólico construído a partir das vivências das pessoas nesses espaços.

Mais uma vez, a orientação subliminar que norteou essas propostas de intervenção foi a reorganização dos espaços a partir de uma lógica de produção capitalista dos mesmos.

O problema está no fato de que, habitualmente, no centro da cidade, as mudanças advindas do progresso capitalista parecem sempre seguir uma avalanche desrespeitosa, passando a desvalorizar rapidamente espaços ou prédios que contam a história da própria existência do centro, em favor de outros equipamentos que respondam mais rapidamente à adequação ao capital.

Isso é rompimento com o tempo. Não consiste em transição e continuidade do passado para o presente capaz de desenhar-se um futuro mais amigo e menos traidor da história do simbolismo e dos afetos da cidade.

Nos anos seguintes, décadas de oitenta e noventa, os outros planos de remodelação do centro continuaram com intenções semelhantes a esses planos anteriores, visto que os problemas que essa área demandava não eram solucionados.

O centro, nessas décadas, passou a conviver com áreas de bairros de Fortaleza que se valorizaram em termos de equipamentos urbanos mais ?modernos em comparação com os que existiam nos espaços da área central da cidade. A Aldeota é um exemplo de lugar em que a expansão imobiliária investiu e a elite passou a ver nesse espaço da cidade mais vantagens em termos de segurança, da renovação urbana, de vias de trânsito e de comércios mais organizados.

O Centro não poderia competir com essas áreas mais estruturadas da cidade. Atualmente, planos, como o PLANEFüR, buscam recuperar edificações que ficaram esquecidas ao longo desse processo de decadência.

Esse plano aponta que no centro encontra-se, atualmente, a degradação ambiental acelerada e a perda do status de referencial simbólico como os maiores problemas do centro metropolitano. Fala-se em requalificação ou reestruturação urbana, a partir de uma ação conjunta entre os diversos setores públicos e privados (FERNANDES, 2004).

Criam-se termos como revitalização ou requalificação. A revitalização é um termo muito . criticado por setores que acreditam que a função mercadológica do Centro não seja a mais importante, mas a de que esse espaço já é rico e tem vida por sua simbologia e cultura. Sendo assim, a revitalização é associada à idéia de que o Centro não teria vida e, a partir do processo de recuperação urbana, é que a vida voltaria novamente à área central da cidade.

Em contrapartida, o termo requalificação (adotado no presente trabalho) diz respeito a um processo de recuperação dos equipamentos urbanos que os inclua mais adequadamente a essa dinâmica. As intervenções realizadas com esse objetivo, no entanto, continuaram a ser pontuais na década de noventa, segundo Fernandes (2004), não sendo integradas a um plano amplo de recuperação dos equipamentos urbanos ali inseridos.

Fonte: Centro de Fortaleza, entre Afetos e Sentidos
Autora:
Fátima Bertini
Editora: Editado pela FATECI - Faculdade de Tecnologia Intensiva

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